sábado, setembro 30, 2006

Fernando Bittencourt e a TV Digital
Por Manuela Allain Davidson


Quando o assunto é TV digital no Brasil, ninguém aparece mais na mídia do que o Fernando Bittencourt – nem mesmo o ministro Hélio Costa. Na última sexta (29) o diretor de engenharia da Globo esteve no Recife como convidado do primeiro dos Seminários de Tecnologia promovidos pelo Centro de Informática (Cin) da UFPE. E eu, metida como sempre, fui conferir.

Confesso que o que ‘pesquei’ por lá me deixou com a pulga atrás da orelha. Papo de dinossauro, como o Bittencourt mesmo se descreve, só consegue decifrar quem conhece a língua e os contextos da pré-História. O problema é exatamente este. Como pouca gente de nossa população brasileira entende mais a fundo essa conversa de TVD, a maioria leiga ouve o que o dinossauro fala e diz ‘amém’.

Ele começou traçando o histórico da televisão no mundo, dizendo que “a TV aberta é uma das mídias mais obsoletas do País. Só não é mais obsoleta do que a rádio AM”. Amém. Segundo o engenheiro, a primeira tevê vendida no Brasil há 55 anos funcionaria hoje, sem problemas. E o mesmo aconteceria com uma tevê de plasma de R$ 10 mil se viajasse no tempo e fosse levada à década de 1950. Amém.

A justificativa para esse atraso é que, como mídia de massa, não é possível trocar a tecnologia da tevê todo dia. “Sabemos que a próxima mudança deverá ocorrer em duas ou três décadas, por isso tínhamos que decidir pela melhor tecnologia [referindo-se à adoção do ISDB japonês abrasileirado em SBTVD]”. Amém? Não mesmo.

Primeiro, depois que a TV aberta for digitalizada, a tendência – que vem se confirmando no resto do mundo – é que upgrades tecnológicos aconteçam quase que diariamente. O software dentro do receptor (STB) que traz o guia de programação, por exemplo, requer atualizações constantes e os aplicativos interativos vão exigir cada vez mais das máquinas (TVs).

Quando o mundo da tecnologia entrar oficialmente no universo da televisão, atualizar e inovar passam a ser necessidades para sobrevivência do meio. Quanto ao ISDB-t ser a melhor tecnologia, nem comento. Seria, sim, se o ATSC e DVB – além dos que foram desenvolvidos na Índia, China e Rússia, entre outros – tivessem parado no tempo. Então não é amém mesmo...

Para a Globo, nas palavras de Bittencourt, a única grande mudança da televisão desde sua introdução no Brasil foi a migração das imagens em preto e branco para o sistema a cores. Amém? Que nada... E o controle remoto? Desse, obviamente, a toda-poderosa emissora nem fala.

A liberdade de escolha que o ‘zapping’ deu aos telespectadores é um princípio de interatividade que ameaça a audiência e soberania de qualquer canal de televisão. Daí a necessidade de se ter uma programação de qualidade para prender a atenção do cidadão que está em casa, procurando informação ou entretenimento, com o controle remoto na mão.

[CONTINUO COM MUITO MAIS MUNIÇÃO NO PRÓXIMO POST]

segunda-feira, setembro 25, 2006

Cicarelli abala as estruturas da Web
Por Manuela Allain Davidson

Flagrante ou exibicionismo?

A ex-esposa-número-dois do atacante Ronaldo, Daniela Cicarelli, me fez o favor de comprovar a teoria de que nada em nenhum meio de comunicação se propaga e vende mais rápido do que sexo. É bem verdade que a modelo e apresentadora da MTV não sabia que estava sendo filmada. Mas por ser uma personalidade pública ela deveria ter imaginado que em qualquer praia da Europa há sempre um Paparazzo em alerta. Lembram do post em que falávamos de TV portátil com conteúdo adulto? Aposto que muita gente recebeu a aventura da modelo no celular.

Para quem ainda não sabe, há uns dez dias a Daniela Cicarelli e seu namorado Tato Malzoni foram flagrados trocando carícias pra lá de íntimas em público, numa praia da Espanha. E a coisa esquentou de forma tal que o casal foi se 'refrescar' no mar e, depois de alguns minutos, algo mais veio à superfície. O namorado dela até tentou disfarçar, cobrindo a parte do corpo com sargaço quando saiu da água. Mas o cameraman e suas lentes foram implacáveis.

Como já era de se esperar, o vídeo se espalhou pela Web rapidamente. E o YouTube, claro, teve inúmeras versões do fato replicadas em seu servidor. Vídeos com o nome e a cara de Cicarelli tiveram mais de 175 mil visualizações da noite pro dia e alguns deles estão desaparecendo do mapa - por terem 'violado a norma de conduta do YouTube'.

Alguns usuários da rede fizeram montagens com a música da Tati Quebra-Barraco ("Tô ficando atoladinha...") e outros pegaram carona na paixão febril da apresentadora só para gerar hits em seus vídeos que NADA tinham a ver com a estória. Me explico. Imagine que alguém fez um vídeo na frente de um quadro de aula, dizendo nada com nada, mas nomeou o arquivo como Cicarelli e, para completar, descreveu o vídeo como 'cenas tórridas de amor à beira-mar'. São internautas que já aprenderam a lição primeira de marketing online: provocar o público-alvo e incitar a navegação.

Como jornalista, acho mesmo que a estória é notícia. Sensacionalista, é verdade, pela reação que causa nos que têm acesso à informação e também pelo fato da Daniela não ter sido a primeira - nem a última - a se deixar levar pela sedução do mar. Como mulher, me solidarizo com a dor que deve ser ter sua privacidade destruída - e também pelos contratos publicitários que ela perdeu logo depois que o vídeo foi ao ar. Mas como pesquisadora de mídias digitais e empreendedora online, sinto-me compelida a dar o mapa da mina a vocês.

Só peço que depois de materem sua curiosidade voltem aqui no MADPixel e deixem sua opinião. Não sobre a performance da Daniela, claro. Mas sobre o consumo desse tipo de conteúdo, sobre a ética profissional envolvida em casos como o do paparazzo espanhol e se vocês pagariam para alimentar o voyerismo. O que vier à cabeça de vocês tá valendo.

LINK VOYEUR
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'O mapa da mina'

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Sexo como conteúdo para TV portátil

quarta-feira, setembro 20, 2006

Produção de STB motiva disputa salomônica
Por Manuela Allain Davidson


Set-top box e controle remoto

Em Santa Rita do Sapucaí, Minas Gerais, tem uns chineses que podiam se candidatar ao papel da mãe que quase viu seu bebê dividido em dois pelo Rei Salomão. Lembram dela? A metáfora serve para ilustrar o que eles estarão fazendo ao arcar com uma produção de decodificadores pra tevê digital sem nenhum incentivo fiscal do Governo. Deixa eu tentar explicar melhor.

A novela de tevê digital no Brasil se estende agora aos direitos de produção das famosas set-top boxes (STB) - os equipamentos que vão permitir que o telespectador receba em casa a programação digitalizada. O governo Federal se dividiu entre os que querem descentralizar a cadeia de produção do hardware (enquadrando STB como bem de informática) e entre os que querem concentrar a produção na Zona Franca de Manaus.

É uma disputa salomônica porque muitas indústrias querem ser a mãe desse bebê que tende a se propagar em mais de 80 milhões de lares brasileiros, atraindo lucros milionários. Pois bem. Mãe que é mãe, já sabia Salomão, está sempre disposta a se sacrificar para evitar que sua prole seja ferida. Custe o que custar.

No caso, a prole da Phihong – joint venture mineira com um grupo chinês – é a recém-nascida produção de STB para tevê digital. E para garantir o futuro da linhagem, a indústria está começando a produzir os aparelhos agora, mesmo sem a dedução de impostos que teria se (quando) as STB forem enquadradas como bens de informática.

Segundo a Bites, revista eletrônica especializada em TI, a Phihong já está a todo vapor ‘dando à luz’ decodificadores que serão usados inicialmente por TVs de assinatura (satélite e cabo). O objetivo final dessa ‘mãe’ é levar seus bebês aos usuários da tevê digital aberta (rádio-freqüência) e, num futuro ideal onde as empresas de telecom também farão parte desse mercado, aos usuários de TV por banda larga, IPTV.

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domingo, setembro 17, 2006

A vez do Google Image Labeler
Por Fabiano Gallindo


O grupo Google não pára de lançar novidades. A mais nova é colocar o pessoal que navega sem compromissos para trabalhar para eles. O Google Image Labeler é uma nova ferramenta que permite ao internauta indexar imagens aleatórias para ajudá-los a melhorar os resultados da busca de imagens deles.

Agora por que você iria querer trabalhar de graça para eles? Porque eles são espertos e fizeram a coisa parecer um joguinho. E é divertido. Ao se logar, você espera ganhar um parceiro. Em seguida, é mostrada uma imagem. Você tem que começar a escrever palavras que aquela imagem te lembra. Quando uma das suas palavras coincidir com a do seu parceiro, vocês passam para a imagem seguinte. A cada imagem que "acertar", a dupla ganha pontos e vai subindo no ranking geral do site.

Parece meio bobo, mas depois que você começa a brincar, fica difícil parar.

SERVIÇO
» Google Image Labeler

sexta-feira, setembro 15, 2006

Sexo como conteúdo para TV portátil
Por Manuela Allain Davidson


Ilustração: MADPixel

Atenção. Este post contém informações impróprias para menores de 18 anos. Se você tem problemas cardíacos ou senso de moralidade susceptível a fortes impactos, pare de ler agora. Lembro apenas que como jornalista e redatora do MADPixel a minha missão é apresentar os fatos dentro de uma perspectiva de criação e negócios. E nada na Web ou demais mídias vende mais do que sexo.

Durante a semana que passou, fiz um curso sobre transmissão de tevê digital por rádio-freqüência e satélite. No cardápio das aulas também vimos algo sobre a transmissão de conteúdo televisivo para celulares, palmtops e consoles de game portáteis como o PSP (Playstation). Em meio a densos gráficos de eletrônica surge uma informação nova. “Vocês sabem onde o usuário de TV portátil mais assiste tevê?”, perguntou o treinador Cristóvam Nascimento.

A resposta pipocou automaticamente na minha cabeça: “em meios de transporte coletivo”. E eis que veio a resposta surpresa. “No banheiro”, disse o Cristóvam. Meio que perplexa, continuei ouvindo. E os exemplos que ele apresentou fizeram um super sentido. Os tais usuários de banheiro era pessoas que não queriam perder os gols do seu time de futebol favorito enquanto tiravam água do joelho ou resolviam um assunto mais sério no banheiro. Ou ainda pessoas que não queriam perder capítulos de uma novela das oito... e por aí vai.

Eu não tinha lido nada parecido sobre esse tipo de comportamento em nenhuma pesquisa sobre mobile TV até o momento. Mas aí, hoje, recebo uma informação caliente sobre ‘conteúdo adulto’ para tevês de bolso. A inglesa Juniper Research afirma que os vídeos adultos vão passar a perna nos serviços de SMS, gerando £ 1.44 bilhão em volume de negócios até 2009 (Mais de R$ 5 bilhões). É imaginar uma revista Playboy em vídeo, por exemplo, indo com o usuário aonde ele for [inclusive o banheiro] – longe da esposa (marido), do chefe e das câmeras de vigilância tipo Big Brother que regulam boa parte dos espaços que circulamos no dia-a-dia.

Alguém duvida que sexo possa ser vendido como conteúdo pay-per-view ou de vídeo sob demanda? Ou ainda... de uma maneira mais espontânea e interativa... por trocas de mensagens multimídia (MMS) entre usuários de celular? Agora imaginem aqueles anúncios de sexo por telefone que sempre saem nos cadernos de classificados dos jornais impressos oferecendo números para troca de mensagens multimídia com os clientes e close-ups inimagináveis. Literatura de banheiro evoluída, hein?