quinta-feira, agosto 31, 2006

A dúvida do Carlos: prós e contra$ do acesso móvel a dados
Por Manuela Allain Davidson


Alguns comentários feitos aqui no MADPixel rendem bons posts. É o caso da dúvida lançada pelo Carlos Beuter no texto sobre o serviço bancário do BB por celular (31/07). Um detalhe, além do BB, há alguns dias vi que Itaú, Unibanco, Caixa Econômica e outros também já estão com sites de acesso por celular. Mas voltando ao Carlos, ele perguntou quanto custaria realizar uma simples transação como visualizar o saldo, por exemplo, e disse que o custo de tráfego de dados por Kbytes é o que o impede de comprar um celular mais avançado.

"Até o momento não procurei um celular com suporte a GPRS devido a estas e outras incógnitas. Quem sabe não vale a pena", declarou. Confesso que pra tentar dar uma resposta convincente ao Carlos tive que 'pedir ajuda dos universitários'. Então conversei com o Diego Rocha, um amigo da área de TI que trabalha com a Samsung, e ele garimpou para mim os dados que apresento agora.

A TIM, por exemplo, cobra R$ 15,73 por megabyte para clientes pré-pagos. Mas clientes pós-pago têm acesso a um pacote básico que custa R$ 5,99 por megabyte - tanto para transferência de dados por GPRS ou Edge, dependendo da área de cobertura. E quanto mais você usa, mais tem descontos. Há também a opção de estabelecer pacotes individuais onde 1 gigabyte vai custar R$ 149 (ou R$ 0,15 por megabyte). A Claro, como o Carlos adiantou em seu comentário, cobra algo em torno de R$ 6 por megabyte.

Agora, quanto vai custar para ler um email por celular ou checar o saldo nessa relação de R$/MB? A tabela abaixo, encontrada no site da TIM, dá uma boa idéia.

1MB = 1000KB e 1GB = 1024MB

E aí fica o consumidor de classe-média naquele dilema shakespeariano, usar ou não usar, eis a questão...

Para as operadoras, uma dica redundante: a oferta de pacotes mais acessíveis aumentaria consideravelmente a popularidade e uso do tráfego de dados - o que potencializaria bastante a faixa de lucro com o serviço.

Divagações pessoais: se as operadoras não investem na popularização desse serviço AINDA é provável que suas redes não tenham condições de suportar maior demanda... Mas vamos brincar de empreender, investir em banda larga sem fio e baixar o preço do serviço, porque com 92 milhões de usuários de celular no Brasil o retorno dos investimentos é garantido!

segunda-feira, agosto 28, 2006

Quem entende o ministro Hélio Costa?
Por Manuela Allain Davidson


O tapetão debaixo do Hélio Costa não me sai da cabeça. Acho que um dia vai sair tanto bicho dali... Como os conterrâneos mineiros dele diriam, ô homi difícir de entendê, sô. Uma hora o ministro faz a maior força em prol do monopólio de TV terrestre. Na outra, quer forçar a Anatel a aceitar operadoras de telefonia fixa como novos players do mercado de banda larga sem fio WiMax. E está pronto pra fazer valer a sua autoridade – mesmo que ameaçando a sobrevivência da agência reguladora.

Deixa eu me explicar melhor. Na novela da TV digital, muita gente cansou de dizer que abrir o mercado para as empresas de telecom aumentaria o poder de oferta de serviços interativos para a população brasileira. Até porque a TV não tem como ser um meio interativo se não houver canal de retorno para que o cidadão que está em casa também se torne um emissor de conteúdo. O que chamam de interatividade local é download de conteúdo e ilusão de participação para o usuário.

Pois bem, as empresas de telecom ficaram fora dessa e o Brasil adotou um padrão que tecnologicamente vai custar mais caro para a população. O Blog da TV Digital, listado no menu à direita, traz muito mais detalhes dessa pendenga e todos os seus entraves legais. Recomendo a leitura aos mais curiosos.

Mas aí vejam só... Agora o ministro quer abocanhar para as telcos um mercado que a rigor não lhes diz respeito. Tá mais difícil de entender a que santo ele se devota do que antecipar os movimentos do audaz agente da UCT de Los Angeles, Jack Bauer, na terceira temporada da série de TV 24 Horas (grande ganhadora do Emmy 2006).

Nesta edição do show, Bauercomeça prendendo um criminoso que depois ajuda a escapar e alia-se ao sujeito em troca de US$ 15 milhões. Mas na verdade tudo era uma manobra para usar o tal cara como isca para criminosos ainda mais perigosos. Bauer pelo menos a gente já entendeu. Mas pra entender Hélio Costa vamos ter que afastar os móveis e dar uma olhadinha em baixo do tapete dele mesmo.

GOOGLE ANALYTICS



Depois do Adsense e AdWord, o MADPixel agora também adotou o Google Analytics. Para os que ainda não conhecem a ferramenta – porque passou a ser oferecida gratuitamente há pouquíssimo tempo – fica a dica.

A engenhoca nos permite controlar o tráfego de acesso por períodos definidos por nossa equipe (dia, semana, mês...) e acompanhar quais páginas estão motivando navegação dos nossos leitores/internautas. Também nos diz de onde os leitores estão vindo (Google, Orkut, emails, digitando o endereço no browser, enfim...). É uma ótima ferramenta de gestão para empreendedores online.

Graças ao Analytics, descobrimos que estamos sendo lidos em sete cidades dos EUA, duas da Europa (Espanha e Inglaterra) e dezenas de cidades brasileiras que eu nunca tinha ouvido falar. São o caso de Inhumas, Cariacica, Goiabeiras e Galópolis, por exemplo. Obrigada pela audiência, gente!

SERVIÇO
» Google Analytics

sábado, agosto 26, 2006



Menos Planetas, mais Mundos

Por Fabiano Gallindo

Uma coisa que o ser humano é exímio é na arte de destruir. Destruimos casas, pontes, fábricas, regiões e populações inteiras com o apertar de um botão. E, a partir de agora, também destruímos planetas!

Numa reunião de astrônomos na última quinta-feira (24), em Praga, na longínqua porém linda Tchecoslováquia, decidiram acabar com Plutão. Nos meus idos de 1970, quando aprendia que o sistema solar era composto de nove astros e recitava com orgulho em festas de família o nome de todos eles de mercúrio a P!, nem imaginava que em 2006 o planetinha e sua lua Caronte (Caronte?) deixariam de existir.

Essa definição é uma proposta de uma Rede. Isso mesmo, de uma rede de especialistas chamada União Astronômica Internacional (IAU, na sigla em inglês), internacionalmente reconhecida como a autoridade responsável pela nomenclatura de estrelas, planetas, asteróides e outros corpos celestes e fenômenos na comunidade científica. Bruno Latour na sua Teoria do Ator Rede (Ciência em Ação, 1994) já nos apresentava que uma idéia por si só não é defensável, nem mesmo existe, precisa de um conjunto de atores humanos e os não humanos, estes últimos devido ao seu vinculamento ao princípio de simetria generalizada. Uau! Você me perguntaria "Eu existo?". Sim, por enquanto.

A boa parte dessa história é que, do mesmo jeito que uma Rede de Atores pode "destruir" Planetas (vide, P!), também pode criar Mundos.

Jogos on-line ou jogos eletrônicos via Internet são os nossos mundos virtuais. Neles, um participante com um computador ou vídeo-game conectado à rede pode jogar com outros sem que precisem estar no mesmo ambiente. Sem sair de casa, o jogador pode desafiar adversários que estejam em outros lugares do país, ou até do mundo (real, real?).

Milhares de jogadores se divertindo pela Rede (Internet), tecnologia consolidada. Para onde ir? É possível evoluir ainda mais? Sim. E essa evolução chama-se MMORPG (Massive Multiplayer Online Role Playing Game) e são jogos do tipo RPG que reúnem multidões numa mesma partida. Você é lançado num Mundo virtual (geralmente idade média) e joga com trezentas, três mil, trinta mil pessoas.

Esses jogos geralmente são pagos (mensalidades) e costumam até servir de meio de sociabilização virtual: os jogadores se casam, constróem casas, arrumam trabalho etc. Os mais conhecidos MMORPGs são: Ultima Online, Everquest, Star Wars Galaxies, RuneScape, Phantasy Star Online, Ragnarok, World of Warcraft e Tibia.

Desktop? Lan Houses? Computador preso à parede? Que nada, na Coréia e na China através de celulares e handhelds você é avisado a qualquer hora do dia (e da noite) quando o exército inimigo bate a sua porta ou quando a vizinha do "lado" quer fazer um troca-troca. As TELES estão amando, o número de short messages (SMS) trocadas por jogadores inveterados ultrapassa os milhões de dólares e a tendência é crescer.

Pesquisas estão sendo feitas e a TV Digital Interativa parece ser um campo fértil para a construção desses novos mundos. Tele-trabalho, tele-presença com alta velocidade e alta resolução. Bytes e Bits transformados em paisagens fictícias, históricas ou cenários que nos lembram salas de aula, ruas de Pompéia ou planetas que deixaram de existir.

Quem sabe eu e você, um dia, não nos encontramos num Mundo chamado Plutão?

sexta-feira, agosto 25, 2006



"Ave, iPod": o império está ameaçado

Por Anna Dias

Cada dia é mais difícil prever se o império Apple será capaz de manter as exorbitantes cifras de 70% do mercado mundial de reprodutores portáteis e 90% do mercado legal de música online. Uma imprevisibilidade que nao se deve apenas ao Zune (reprodutor da Microsoft com lançamento previsto para antes desse Natal). Navegando por aí, aqui estao algumas notícias de outros "Césares" ou, mais realisticamente, concorrentes:

- Acaba de sair do forno um novo reprodutor de música, vídeo e imagens da empresa norte-americana SanDisk:
Sansa e280. Assim, a companhia pretende fazer concorrência direta ao iPod Nano da Apple, de preço similar mas que possui uma capacidade máxima de 4Gb. O Sansa conta com uma memória 'flash' 8Gb que pode ser ampliada a 10 com um cartao de memória.

- Nokia, líder mundial de celulares, também quer discutir a hegemonía da dobradinha iPod-iTunes.
Acaba de pagar 60 milhoes por Loudeye, empresa especializada em dispositivos de descarga musical pela internet.

- De terras alemas vem a Hundertelf GmbH, uma pequena companhia de internet da cidade de Colônia, que lança o novo serviço móvel de podcast, chamado Cellcast. Com ele os usuários poderao ligar de um celular, gravar uma mensagem ou música e disponibilizar na internet. O conteúdo fica gravado na caixa de mensagens, depois, convertido em MP3, armazenado no servidor do Cellcast para ser transferido ao servidor que o usuário desejar. Melhor de tudo é gratuito.

Pois é, imperadores e suas eras. Ainda bem que toda ameaça de fim de império pode ser aproveitada como uma oportunidade libertadora. Nesse caso, mais possibilidades de acessar, produzir e disponibilizar conteúdos com vozes cada vez mais próprias e diversificadas.

Portanto, "Alea iacta est" ou "A sorte está lançada", diria Julio César.

quarta-feira, agosto 23, 2006


Podcast influencia nova geração de TV digital
Por Manuela Allain Davidson

A Anna estava falando dia desses sobre podcast e eis que eu me deparo com essa preciosidade. O texto que vocês vão ler a seguir é uma tradução livre (com leves adaptações) e revela como o podcast é chave no desenvolvimento da próxima geração de STB para IPTV

Mais de seis por cento dos adultos dos Estados Unidos, ou cerca de nove milhões de internautas, baixaram podcasts nos últimos 30 dias, segundo pesquisa recente divulgada pela Advanced-Television.com. Em menos de dois anos desde que a febre dos podcasts começou, essa tecnologia de rápido crescimento tornou-se uma ferramenta necessária a comunicadores, vendedores de mídia moderna e anunciantes, de acordo com ‘The Economics of Podcasting’, de Larry Gerbrandt, analista de mídia sênior da Nielsen Analytics.

Segundo Gerbrandt, o verdadeiro valor do podcasting reside fora da indústria de mídia, como um importante meio de comunicação em negócios, educação e política - áreas onde blogs como o nosso MADPixel, por exemplo, já fincaram raízes. Avanços em formatos RSS e a expansão do acesso a banda larga tornariam possível reunir uma vasta gama de conteúdo em texto, áudio e vídeo através de um espectro cheio de plataformas de mídia. "Mas, como em muitas outras formas de tecnologia, é provável que sejam os consumidores quem decidirão sobre o seu futuro", diz Gerbrandt.

"De fato, é possível que podcasting - especialmente vídeo podcast - possa se tornar um meio padrão para a distribuição de conteúdo para a próxima geração de set-top boxes que estão sendo desenvolvidas para conectar a TV à Internet. Os equipamentos serão essencialmente PCs mas vão ser adaptados a uma interface específica com displays de TV. Em algum momento eles deixarão de ser chamados de podcasts - um termo que sugere que eles só podem ser acessados através de um iPod.

Gerbrandt destaca que qualquer PC capaz de reproduzir áudio/vídeo tem a habilidade de receber e rodar podcasts. "Como o que realmente diferencia podcasts nas transmissões streaming de áudio e vídeo e no download desses arquivos é a capacidade de sindicância, o uso crescente de tags de conteúdo e RSS pode determinar o uso da tecnologia de podcasting na próxima geração de STB e equipamentos portáveis/móveis", conclui.

GLOSSÁRIO

IPTV - forma de transmissão e recepção dos sinais de TV que usa o protocolo da Internet

TV Digital
- é a velha e boa tevê, com imagens, áudios e dados recebidos em pacotes de informação digital por um conversor doméstico (STB).

Podcast - método de distribuição de arquivos multimídia através da Internet, usando os formatos de sindicância Atom ou RSS. O nome é variação do famoso MP3 player da Apple.

Blog - vem da combinação das palavras Web e log. No bom e velho português, é um registro na Internet.

Set-top boxes (STB) - é o conversor de dados da TV digital, quem tem tevê por assinatura em casa já conhece.

PC - computador pessoal.

iPod - o MP3 Player da Apple (que agora já é até MP4 Player e também reproduz vídeos e programas de TV com perfeição).

Streaming - tecnologia que permite o envio de informações multimídia através da Internet. Em conexões de banda larga, a velocidade é tão elevada que dá a sensação de transmitir áudio e vídeo em tempo real.